O perigoso do voto ofensivo

De tantas divergências presentes no meio Libertário, sem dúvida a qual este escritor acha mais estranha é quando se trata do tema de “eleições e votos”.

Há certo tempo começara a se discutir sobre o chamado “voto ofensivo”, que nada mais é que um nome bonito e encurtado para a famosa frase “vamos votar no menos pior”.

Desde quando o sufrágio foi implantado no Brasil como ferramenta para eleição de governantes, é possível se ver o discurso do voto ofensivo. Um belo sofisma na defesa da crença de que exista político “menos pior”.

Libertários utilitaristas e minarquistas são os maiores advogados desta tese, porém não enxergam a ineficiência de sua ação, principalmente quando tratamos deste país que ora residimos.

Na época em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, seus seguidores indubitavelmente proclamavam ser ele o “menos pior”; com Getúlio Vargas, não poderia ter sido diferente. Não obstante, nas eleições de 2014, quando Dilma Rousseff foi reeleita, a ideia do “voto ofensivo” também fora colocada pela esquerda a fim de evitar, o que eles consideravam um mal maior, a vitória de Aécio Neves (PSDB). Em contrapartida a direita defendia o “voto ofensivo” como a eleição do candidato do PSDB.

Portanto, a tese de voto ofensivo ou voto no “menos pior”, não é uma novidade criada por um grupo de Liberais/Libertários, mas simplesmente uma adaptação, uma troca de maquiagem para aquilo que já existia ser defendido com menos repúdio do público.

Demonstra Stefan Molyneux em seu livro “Anarquia Cotidiana” que, o anarquista (de mercado) pode não ter as respostas exatas para todas as coisas naquele instante, porém nem mesmo o cientista tem todas as respostas científicas para todas as indagações que lhe são feitas; nem por esta razão este profissional é tido como um utópico, um mero idealista que nunca alcançará seu objetivo. O anarquista se assemelha em muitas vezes ao cientista, pois não tem as respostas exatas para tudo aquilo de novo que lhe aparece, porém tem em mente que, assim como o cientista não aceita a resposta de que “Foi deus quem fez”, o anarcocapitalista não deverá aceitar qualquer proposição semelhante à “Deixa que o governo resolve”.

O que se busca em tal comparação é demonstrar que a tese defendida por determinados Libertários no que tange ao voto ofensivo não deveria prosperar, uma vez que o indivíduo está depositando confiança naquele que sabe ser seu inimigo. Esquecem esses Libertários que não há na política brasileira somente a figura do Prefeito e Presidente, mas sim muitos outros componentes, logo esse que estiver à frente está submisso aos outros – por mais que se fale em autonomia dos poderes sabemos que não é bem assim que funciona. E por quê? Pelo simples fato de que se este não atender as demandas daqueles que ficam “mais à sombra”, como é o caso dos Deputados, inegavelmente o presidente cairá no dia seguinte; vide Dilma Rousseff que perdeu apoio dentro do Congresso e foi impedida tempos depois.

Acreditar que quem está no poder da política brasileira é o povo é uma grande piada, já tivemos provas de que isso não é verdade, o povo é somente interessante e de fato existe quando o tempo de eleição está por chegar, posteriormente passam a ser meros súditos que devem se calar quando tomadas certas decisões pelos políticos.

Objetarão que a abstenção ao voto também não é a melhor saída e serei obrigado a concordar, posto que o voto nulo e branco não são contabilizados, i.e., eles são ignorados, é como se o eleitor não tivesse comparecido. Diante disso temos descaradamente o defeito da democracia brasileira, afinal se aqui realmente vigora a tal da democracia, quando a maioria de votos optasse por um governo ausente, assim deveria se proceder.

Nestes termos, o que nos resta? Voto ofensivo ou nulo? Infelizmente não poderei apresentar uma tese esclarecedora que consiga reunir Libertários no que se refere a este assunto, não pude chegar a uma conclusão por enquanto. Todavia, advogo que não vejo como melhor saída a eleição de outro parasita estatal, posto que por mais honesto que ele possa parecer, há mais outros por trás que o forçarão a tomar medidas de interesses meramente políticos, por conseguinte, corrompendo-o.

Fundador do site Mão Invisível, Conselheiro Estadual junto ao Liderança nas Escolas em São Paulo, estudante de Direito e amante de quadrinhos
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