A ineficiência dos protestos que depredam patrimônio público e privado

Desde as primeiras manifestações de 2013 em razão do aumento das passagens de ônibus, que posteriormente passaram a supostamente ter como pauta outros assuntos que não apenas a elevação do preço da passagem do transporte público. Participei ativamente destas manifestações e posso confirmar sem receios que todo o protesto foi somente pelos centavos, porém este não é o foco da discussão, deixemos as críticas ao Movimento Passe Livre para outro artigo.

Sucede-se que, destes protestos surgiram os grupos intitulados de Black Blocs, que não significa nada mais, nada menos que:

“Um bando de filhinhos de papai, criados a leite com pêra pela avó. Eles idolatram o Friedrich Engels, picham símbolos da anarquia por ai, adoram o Renato Russo, vivem dizendo que não vai ter copa, bebem toddynho capitalista opressor e costumam brigar entre si quando um alvo de depredação é propriedade privada de um deles. Utilizam máscaras para não ferir os sentimentos de suas avós, que sofreriam muito ao verem seus netinhos em um grupo de crianças mimadas fazendo birra no meio da rua. Suas atividades em passeatas são financiadas por políticos corruptos e partidos comunistas falidos. Eles acreditam que não se pode haver propriedade privada e se você não concordar irão quebrá-la, mas se você quebrar o xbox que eles ganharam da avó, eles vão chorar e cortar os pulsos reclamar para a mãe.”

Embora utilizada a versão cômica do significado retirado do site Desciclopédia, a ideia de um Black Bloc não se faz muito distante disto.

Grupos que se auto intitulam anarquistas, mas que protestam somente quando determinado partido ou político que não lhes agradam acabam por ganhar as eleições. Ironicamente são anarquistas que adoram o Estado, porém não admitem.

Acontece que as manifestações deste grupo se resumem em um único ato: depredação de patrimônio público e privado. Há um gritante problema no modo de protesto dos Black Blocs, o qual iremos expor a seguir.

A respeito da depredação de patrimônio público tem-se que: se alguém deteriora qualquer propriedade do Governo, obviamente ele se verá na obrigação de reparar os danos, no entanto o lugar de onde o dinheiro sairá para arcar com a respectiva despesa vem diretamente do bolso do cidadão, inclusive do próprio manifestante! Infelizmente esse grupo não enxerga que o dano que causou obrigará não somente ele, mas como também pessoas inocentes que não tiveram nada a ver com sua atitude, a custear a reparação da propriedade danificada.

Portanto, tem-se mais impostos arrecadados para que o patrimônio deteriorado seja consertado. A título de exemplo, o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), está realizando a pintura de diversas localidades no município, a fim de apagar as pichações; ocorre que o dinheiro utilizado é totalmente vindo do bolso do contribuinte, logo graças ao vandalismo de pichadores a população é obrigada a arcar com danos que eles causaram.

Ademais, quando se fala em depredar propriedade privada um outro problema, talvez ainda maior, aparece. Ao danificar o estabelecimento particular de alguém, o grupo está atacando também pessoas que muitas vezes não tem nenhuma relação com aquilo que eles estão protestando. Que culpa o Mc Donald’s tem se a ex-presidente Dilma foi impedida? Por que, então, deveríamos depredar as matrizes da empresa? É como se Gaio matasse Epaminondas, e por este motivo alguém achasse razoável atear fogo na casa de Godofredo, indivíduo que sequer soube do acontecimento, e se tomou ciência do crime foi somente pelo jornal.

Saliente-se que se o dono da propriedade depredada é surpreendido por tal cena [de Black Blocs danificando sua propriedade particular] se faz razoável que o mesmo use das forças e meios que achar necessários para protege-la, incluindo atirar contra os vândalos.

Constatamos, portanto, que assolar patrimônios públicos ou privados não são os melhores meios para manifestar-se contra determinado governo; no primeiro caso o próprio danificador pagará pelas avarias, enquanto no segundo se ataca propriedade e indivíduo que não possuem quaisquer relações com o motivo do protesto, podendo o mesmo se defender do modo que achar conveniente.

Anseia por manifestações contra o governo vigente? Apoie camelódromos, excelentes concorrentes contra o monopólio de mercado criado pelo Estado; evite o uso de determinados serviços oferecidos por ele, use da legítima defesa contra os impostos ou se preferir vá às ruas e faça o protesto, mas sem tomar as atitudes ora criticadas, afinal desse último modo as chances de êxito para alcançar o que aspira serão microscópicas.

Fundador do site Mão Invisível, Conselheiro Estadual junto ao Liderança nas Escolas em São Paulo, estudante de Direito e amante de quadrinhos
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