Explicando de forma simples a visão austríaca sobre a crise econômica brasileira

“Como chegamos aqui?!” Muito provavelmente, esse desespero foi a primeira reação de boa parte dos brasileiros quando a grave crise econômica do país foi escancarada de uma vez por todas.

Enquanto os economistas keynesianos do mainstream falham miseravelmente em explicar as causas de nossa recessão utilizando os argumentos mais estapafúrdios possíveis, é um deleite constatar que os entusiastas do livre mercado não somente previram com lucidez que a situação atual estava próxima de ocorrer, mas também possuem uma justificava lógica e consistente com a realidade para esclarecer como, de fato, acabamos na situação de hoje.

E, para uma compreensão fácil e eficiente, nada melhor do que começar o julgamento a partir de um insight do clássico texto de Leonard E. Read, o criador da FEE (Fundação para a Educação Econômica): “Eu, o Lápis”.

Vamos supor que um número elevado de inscrições em escolas devido ao aumento populacional gere uma demanda maior do protagonista da obra, o lápis de grafite: as lojas de varejo irão identificar que estão vendendo mais lápis e encomendarão maiores quantidades de seus atacadistas, que, por sua vez, irão encomendar mais lápis dos fabricantes. Estes encomendarão mais madeira, mais latão, mais borracha, mais grafite – todos os diversos artigos usados na fabricação de lápis.

Para levarem seus fornecedores a produzirem mais desses produtos, terão que oferecer preços mais altos por eles, levando-os a aumentar a quantidade de mão de obra para terem condições de atender à nova demanda. Para conseguirem mais trabalhadores, terão de oferecer salários mais altos ou melhores condições de trabalho, e dessa forma, as ondas propagam-se em círculos cada vez maiores, transmitindo a pessoas de qualquer lugar do mundo a informação do aumento da demanda de lápis.

A esse arranjo damos o nome de sistema de preços, cuja função é auxiliar principalmente na transmissão de informações, nos incentivos e na alocação de recursos para a organização dos mercados de forma espontânea.

E qual a importância disso para entender a estagnação do Brasil? A resposta pode ser encontrada no estudo dos ciclos econômicos e suas fases: boom, recessão, depressão e recuperação.

De acordo com John Maynard Keynes, o queridinho dos políticos – principalmente em ano eleitoral, o desaceleramento da economia seria causado por excesso de poupança e falta de investimentos e, sendo assim, caberia aos governos evitarem crises por meio de políticas fiscais (aumento dos gastos públicos) e monetárias (redução da taxa de juros, impressão de dinheiro e expansão de crédito), sempre combatendo a falta de demanda e em busca do pleno emprego.

Entretanto, a chamada Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos – conhecida de forma abreviada como TACE – apresenta uma visão exatamente oposta: a análise da estrutura de produção explicitada nos triângulos elaborados por Friedrich Hayek revelaria que os maus investimentos gerados pela falta de poupança provocavam uma descoordenação nos mercados. O boom seria causado justamente pelas políticas monetárias e fiscais defendidas por Keynes, gerando uma demanda artificial e “superaquecendo” determinados setores da economia, modificando todos os preços envolvidos na elaboração de bens e serviços e os guiando por inflação.

O boom se tornaria bust à medida que o governo não conseguisse mais manipular a economia visto que o conhecimento está disperso pela sociedade e a baixa taxa de juros se tornar insustentável, deixando indivíduos sem conseguirem arcar com os custos adquiridos com empréstimos e revelando que os preços usados para organização e planejamento eram falsos, fazendo com que empresas tenham que demitir funcionários ou cancelar projetos para não irem à falência. O resultado é conhecidíssimo aqui no Brasil: um monstro chamado estagflação (desemprego com inflação).

Portanto, quando ver políticos defendendo saídas fáceis para a crise, lembre-se que o tão esperado ajuste de contas está apenas sendo adiado e os chamados “estímulos” piorarão a situação.

Qual a única opção viável para iniciarmos um processo de crescimento e prosperidade real? A tão demonizada liberdade econômica.


Leituras complementares:

Futuro economista, Giovanni é orientador do projeto Lideranças nas Escolas no estado de São Paulo e também atua como crítico de cinema no Portal MovieReview. Amante da liberdade, inimigo do Estado e entusiasta da Escola Austríaca, define-se como um paleolibertário.
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