O fantasma da internet limitada retornou, e agora?

O fantasma que assombrou os brasileiros em 2016 retorna nos primeiros treze dias de 2017 através do atual Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD).

O Ministro afirmou que até o 2º semestre de 2017 a expectativa é que o limite de internet fixa seja implementado em todo Brasil. Fato este que foi recebido com as mesmas objeções do ano passado, e com mais intensidade.

Contudo, Kassab obviamente não tem ciência dos transtornos que o povo brasileiro passa com as prestadoras do serviço de internet, se desta forma procedesse evitaria tocar no assunto por décadas.

Indispensável se faz elencar as razões pelas quais o projeto defendido pelo Ministro não deve prosperar; começando pela má prestação do serviço de internet fixa, a qual dentre várias reclamações as campeãs são: serviço técnico e o próprio fornecimento da internet.

Quanto ao primeiro não raro encontrar consumidores que solicitaram reparos em seu sinal e não foram atendidos, as escusas das empresas para justificar o não cumprimento da obrigação são ridículas, isso quando não afirmam que o serviço técnico foi prestado e o consumidor está mentindo. Cumulado à esta ocorrência, tem-se o seu agendamento, que em regra é via telefone…. Não é preciso discorrer de forma demasiada detalhando o atendimento, pois é cediço que para marcar uma simples visita técnica, o consumidor perde em torno de uma a duas horas, isso quando a ligação não cai em meio a conversa.

A respeito do recebimento do sinal de internet pelos consumidores, segundo informações prestadas pela PROTESTE, mais da metade dos usuários (56%) recebem velocidade de internet abaixo da contratada, conjuntamente outros 65,2% demonstram total insatisfação com a velocidade recebida.

Ao passo que o brasileiro enfrenta a má prestação do serviço contratado, os valores das mensalidades para uso do mesmo são exorbitantes. Portanto, há duas coisas contraditórias no sistema de fornecimento de internet no Brasil, qual seja (1) a má prestação de serviço com (2) a sua cobrança em valores elevados.

Se não fosse o imenso protecionismo que abarca estas empresas, sem dúvida uma forte disputa de mercado poderia facilmente resolver o problema; porém não é o que temos, portanto, pouco importa às empresas se o contratante está satisfeito com seu serviço, suas “concorrentes” ─ se é que se pode dar este nome a elas ─ estão no mesmo nível, não oferecem qualquer risco, pois, embora o consumidor resolva se mudar da Internet ABC para YXZ, permanecerá insatisfeito, com um único e mísero diferencial: a divergência mínima de preço de uma para outra, logo ele escolherá aquela pelo preço e não pelo serviço (algo que, anote-se, não deve ser visto com bons olhos). Contudo, é preciso mascarar o péssimo serviço, para tanto utilizam promoções diárias e um marketing sofista, mas convincente.

Em suma, o consumidor utiliza a internet destas empresas por apenas alguns motivos:

a) Necessidade extrema de possuir internet em sua residência,

b) Conformismo, buscando somente achar uma que ofereça seu serviço esdrúxulo por um preço não tão alto e

c) Não há outras opções

Outro grande problema se refere ao prejuízo que muitas empresas sofrerão com a limitação, pois além de pagarem preços altíssimos para recebimento do sinal ─ o qual indubitavelmente não será enviado nos exatos megabytes contratados ─ tem-se que uma pessoa jurídica de pequeno ou grande porte usufrui de internet dez vezes mais que uma pessoa física em sua residência, isso, quando esta última também trabalha em sua casa como empresário informal através da rede virtual. Quem indenizará os prejuízos que, porventura, venham estes empresários a sofrer? Exatamente, ninguém a não ser o próprio prejudicado.

Em oposição às falas do Ministro, nesta sexta-feira (13), segundo informações retiradas do G1, a ANATEL afirmou não haver qualquer interesse em reabrir a discussão quanto ao limite de internet.

Esta afirmação pode ser comemorada, entretanto todo cuidado é pouco, pois o que se passa na mente de políticos sedentos por beneficiar seu monopólio, é um mistério.

Fundador do site Mão Invisível, Conselheiro Estadual junto ao Liderança nas Escolas em São Paulo, estudante de Direito e amante de quadrinhos
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