Se é público não é gratuito, mas talvez seja de qualidade

A sátira referente a frase “público gratuito e de qualidade” é comum tanto quanto a famosa “imposto é roubo”. Como outrora fizemos em outro artigo sanando as dúvidas sobre a respectiva frase [“imposto é roubo”], neste faremos o mesmo com a frase ora citada no começo deste parágrafo.

PÚBLICO E GRATUITO

Para aqueles que possuem um estudo mínimo de economia sabem muito bem que ser público não significa ser gratuito, posto que o serviço prestado pelo governo é pago por meio de impostos, estes extorquidos dos “contribuintes”.

A título de exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) não é, nem de longe, gratuito, haja vista que toda população, sem exceções, o paga indiretamente. Do Fórum municipais à Petrobrás, dos subsídios recebidos pelo Poder Executivo ao Judiciário, todos custeados indiretamente pelo cidadão através da arrecadação de tributos, estes inseridos em todos os produtos e serviços privados que venham a usufruir no dia-a-dia.

Conclui-se que, afirmar que espera a estatização de determinada empresa, pois assim ela se tornará “gratuita” é indubitavelmente um dos maiores sofismas já existentes. No mais, o custo do serviço público “gratuito” é mais oneroso do que se pensa, pagar qualquer coisa de forma indireta e sem ter o contato imediato com o montante que se cobra para sua manutenção facilita ─ e muito ─ seu superfaturamento.

PÚBLICO E DE QUALIDADE

Esta segunda parte da frase não é totalmente verídica, talvez 99% seja, mas resta-nos o 1% que deve ser dado atenção.

Fiz estágio em diversos órgãos públicos, tive contato e ainda tenho com inúmeros servidores de todos os setores possíveis no município onde me faço residente. Em todos os anos de contato direto com este setor pude concluir que: (1) há servidores competentes e trabalhadores, mas também há muito mais incompetentes e vagabundos, e (2) estes últimos existem pela falta de iminente demissão de seus respectivos cargos.

Tamanha seria a desonestidade em classificar o setor público ineficaz em sua totalidade, porém inúmeras pessoas acabam por condena-lo desta forma, visto que a grande maioria de seus servidores são extremamente ociosos. Quem nunca entrou em algum prédio público e se deparou com uma fila imensa para poder utilizar certo serviço, e quando resolveu dar uma espiada para observar quantos funcionários estavam trabalhando ou de que modo estavam, foi surpreendido com apenas um ou dois servidores para trinta pessoas ou mais, ainda estes dois com uma animação e celeridade para o que faziam, que provavelmente se você fosse o último numa fila de trinta pessoas sairia de lá por volta das 18 horas, quando da sua chegada eram aproximadamente às 10 horas.

Este 1% de servidores faz jus ao salário que recebe por meio da arrecadação feita daquele trabalhador comum, sabem o quanto custa sua manutenção naquele cargo e tem em mente que “o serviço público está ali para o público, devendo ser prestado em pé de igualdade com o setor privado”. Particularmente tive grande sorte em estagiar ao lado de pessoas de boa índole e éticas, que faziam e fazem parte deste 1%, os outros 99% encontrava durante o expediente.

Ademais, o combustível para existência de tantos servidores negligentes se justifica em um único fator: a estabilidade do cargo. Não entraremos no mérito sobre uma possível falência de todo o setor se este for de péssima qualidade, deixemos a análise em estrito senso para somente os servidores. Se houvesse a ameaça de possível demissão no caso de má execução de sua atividade laborativa, quiçá o servidor seria mais proativo, bem como esta porcentagem de ociosos iria diminuir drasticamente, posto que o indivíduo que se ver passível de perder aquele emprego com exorbitante remuneração ficaria mais atento a suas atitudes afastando qualquer motivo que enseje a sua demissão.

Pasme, diversos são os servidores que são contrários a estabilidade que possuem pelos mesmo motivos supracitados, argumentam que estes 99% degradam toda a imagem daquele 1%, e nisso eles estão absolutamente corretos, não é à toa que Libertários objetam que ou é serviço público ou é de qualidade, ambos numa mesma frase seria impossível.
Assim, “público e gratuito” de fato não existe, seja qual for sua natureza há o pagamento direto ou indireto daquele serviço; “público e de qualidade” depende muito dos servidores que o compõe e de quem vai naquele instante prestar o serviço a você, não chega a ser uma máxima irrefutável.

Fundador do site Mão Invisível, Conselheiro Estadual junto ao Liderança nas Escolas em São Paulo, estudante de Direito e amante de quadrinhos
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