O Médico, a Peleumonia e o Paciente

O médico Guilherme Capel foi alvo de duras críticas na última quarta-feira (27), pois havia tirado foto de um papel onde havia a frase “Não existe peleumonia e nem raôxis”. Tal fato foi dado como ofensivo, uma vez que compreendido que nele havia preconceitos contra pessoas mais humildes, as quais desconhecem os termos e palavras corretos para se referir a alguma coisa.

Por fim, Capel foi demitido de seus empregos; contudo, na tarde de domingo (31) ele se dirigiu até a residência do paciente, o qual teria dito as palavras que levaram o médico a fazer a inconveniente brincadeira.

Guilherme e José Mauro se reencontram em Serra Negra (Foto: Reprodução/internet)

“Eu errei, me arrependi e me sinto mal com isto. Este pedido de desculpas vai a todos os brasileiros que se ofenderam com a brincadeira da ‘peleumonia’. Sr. José Mauro hoje tornou-se meu amigo”, disse Guilherme Capel ao lado de uma foto que aparece com José Mauro de Oliveira Lima.

Ainda: “Fui até a casa do mecânico que virou símbolo nacional. Diante da exposição ao hospital Santa Rosa de Lima de Serra Negra gostaria também de me retratar. Como prova disso, fico à disposição da ONG que ajuda este hospital para realizar plantões voluntariados nos quais todo o dinheiro arrecadado será destinado a ONG  que ajuda este hospital. Este sou eu: Guilherme Capel Pasqua”. Ao final da publicação o médico deixou o telefone da ONG Reviver para quem quisesse fazer alguma doação, (19) 38924946.

Vale ressaltar que José Mauro aceitou o pedido de desculpas do médico.

O que aprendemos com isto?

O importante desta história e o que qualquer indivíduo deve aprender com ela é: devemos respeitar a humildade das pessoas, e ao invés de debochar de sua falta de conhecimento, é melhor buscar ensiná-las sobre o que sabemos.

A atitude de Capel foi totalmente desnecessária, ainda que tenha feito sem reais intenções de ofender, pois há no Brasil mais da metade da população que pronuncia, por exemplo, nome de doenças incorretamente e isto não porque querem, mas por pura e simplesmente falta de conhecimento, o que é de se lamentar. Este fato, de as pessoas pronunciarem nomes de quaisquer coisas de forma errada é uma triste realidade brasileira, e que não deveria ser usada para deboche. Em suma, a população brasileira pronunciar palavras erradas e até mesmo escrevê-las, demonstra um imenso problema dentro da educação.

Além disto, muito mais meritório seria se o médico ao invés de precisar pedir desculpas, tivesse ensinado a seu paciente como se falar corretamente as palavras em questão.

Frise-se ainda que, não devemos nos acomodar e dizer “Ah, deixe que ele pronuncie errado, qual o problema?”, o problema são vários, desde uma má escrita a uma péssima evolução como pessoa na sociedade. Como já dizia o ínclito escritor Monteiro Lobato:

“Quem mal lê, mal fala, mal vê.”

Se há preocupação se o brasileiro lê com frequência, por quais motivos não se preocupar se pronuncia suas palavras de forma correta?

Portanto, repudio a atitude do médico que não fez mais que sua obrigação em pedir desculpas ao seu paciente, porém se a intenção fosse que o mesmo aprendesse a falar corretamente, que agisse de outro modo; outrossim, não se deve tampar os ouvidos e achar super normal alguém pronunciar palavras ou frases incorretas, mas sim ensiná-las o certo, e isto se deve dar de forma ética.


Fontes: G1

Fundador do site Mão Invisível, Conselheiro Estadual junto ao Liderança nas Escolas em São Paulo, estudante de Direito e amante de quadrinhos
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